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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Calvinismo X Arminianismo

 Calvinismo X Arminianismo

Em face das constantes controvérsias entre estes dois métodos de interpretar a Bíblia, principalmente no que se refere a salvação em Cristo Jesus, creio que nunca é demais, analisarmos vários argumentos sobre o tema. Para isso estou postando uma os argumentos extraídos do Livro CONHECENDO AS DOUTRINAS BÍBLICAS - MYER PEARLMAN, pg 268 a 274. 

1. Calvinismo.
A doutrina de João Calvino não foi criada por ele, mas foi ensinada por santo Agostinho, o grande teólogo do século IV. Tampouco foi criada por Agostinho, que afirmava estar interpretando a doutrina de Paulo sobre a graça.
 

A doutrina de Calvino é
: A salvação provém inteiramente de Deus; o homem não tem absolutamente nada que ver com sua salvação. Se ele, o homem, se arrepender, crer e for a Cristo, é inteiramente por causa do poder atrativo do Espírito de Deus. Isso se deve ao fato de que a vontade do homem se corrompeu tanto desde a queda que, sem a ajuda de Deus, não pode nem se arrepender, nem crer, nem escolher corretamente. Esse foi o ponto de partida de Calvino — a completa servidão da vontade do homem ao mal. A salvação, por conseguinte, não pode ser outra coisa senão a execução dum decreto divino que fixa sua extensão e suas condições.
 

Naturalmente, surge a pergunta: Se a salvação é inteiramente obra de Deus, e o homem não tem nada que ver com ela e está desamparado, a menos que o Espírito de Deus opere nele, então, por que Deus não salva a todos os homens, posto que todos estão perdidos e desamparados? A resposta de Calvino era: Deus predestinou alguns para serem salvos, e outros para serem perdidos. "A predestinação é o eterno decreto de Deus, pelo qual ele decidiu o que será de cada um e de todos os indivíduos. Pois nem todos são criados na mesma condição, antes a vida eterna está preordenada para alguns, e a condenação eterna para outros." Ao agir dessa maneira, Deus não é injusto, pois ele não é obrigado a salvar ninguém; a responsabilidade do homem permanece, pois a queda de Adão foi sua própria falta, e o homem sempre é responsável por seus pecados.
 

Posto que Deus predestinou certos indivíduos para a salvação, Cristo morreu unicamente pelos "eleitos"; a expiação fracassaria se alguns pelos quais Cristo morreu se perdessem.

Dessa doutrina da predestinação segue-se o ensino de "uma vez salvo, sempre salvo"; porque se Deus predestinou um homem para a salvação, e este pode unicamente pode ser salvo e guardado pela graça de Deus, que é irresistível, então, nunca pode perder-se.


Os defensores da doutrina da "segurança eterna" apresentam as seguintes referências para sustentar sua posição: João 10:28,29: Romanos 11:29; Filipenses 1:6; 1Pedro 1:5; Romanos 8:35; João 17:6.
2. Arminianismo.
O ensino do arminianismo é: A vontade de Deus é que todos os homens sejam salvos, porque Cristo morreu por todos. (1 Tm 2:4-6; Hb 2:9; 2 Co 5:14; Tt 2:11,12.). Por ser essa sua finalidade ele oferece sua graça a todos. Embora a salvação seja obra de Deus, absolutamente livre e independente de nossas boas obras ou méritos, o homem tem certas condições a cumprir. Ele pode escolher aceitar a graça de Deus, ou pode resistir-lhe e rejeitá-la. Seu direito de livre arbítrio sempre permanece.


As Escrituras certamente ensinam uma predestinação, mas não que Deus predestina alguns para a vida eterna e outros para o sofrimento eterno. Ele predestina "todos os que querem" a serem salvos — e esse plano é bastante amplo para incluir todos que realmente desejam ser salvos. Essa verdade tem sido explicada da seguinte maneira: na parte de fora da porta da salvação lemos as palavras: "quem quiser pode vir"; quando entramos por essa porta e somos salvos, lemos as palavras no outro lado da porta: "eleitos segundo a presciência de Deus". Deus, em razão de seu conhecimento, previu que essas pessoas aceitariam o evangelho e permaneceriam salvos, assim predestinou para essas pessoas uma herança celestial. Ele previu o destino delas, mas não o predeterminou.


A doutrina da predestinação é mencionada não com propósito especulativo, e sim com propósito prático. Quando Deus chamou Jeremias ao ministério, ele sabia que o profeta teria uma tarefa muito difícil e poderia ser tentado a deixá-la. Para encorajá-lo, o Senhor assegurou ao profeta que o havia conhecido e o havia chamado antes de nascer (Jr 1.5). Com efeito, foi isto que o Senhor disse: "Já sei o que está adiante de ti, mas também sei que posso te dar graça suficiente para enfrentares todas as provas futuras e conduzir-te à vitória." Quando o NT descreve os cristãos como objetos da presciência de Deus, seu propósito é dar-nos a certeza do fato de que Deus previu todas as dificuldades que surgirão à nossa frente, e que ele pode nos guardar, e que nos guardará de cair.

3. Uma comparação.
A salvação é condicional ou incondicional? Uma vez salva, a pessoa é salva eternamente? A resposta dependerá da maneira como podemos responder às seguintes perguntas-chave: De quem depende a salvação? A
graça é irresistível?

1) De quem depende, em última análise, a salvação: de Deus ou do homem? Certamente deve depender de Deus, porque quem poderia ser salvo se a salvação dependesse da força da própria pessoa? Podemos estar seguros disto: Deus nos conduzirá à vitória, não importa quão débeis ou desatinados sejamos, desde que desejamos sinceramente fazer a sua vontade. Sua graça está sempre presente para nos admoestar, reprimir, animar e sustentar.


Contudo, será que não há um sentido em que a salvação dependa do homem? As Escrituras ensinam, constantemente, que o homem tem o poder de escolher livremente entre a vida e a morte, e Deus nunca violará esse poder.


2) Pode-se resistir à graça de Deus? Um dos princípios fundamentais do Calvinismo é que a graça de Deus é irresistível. Quando Deus decreta a salvação de uma pessoa, seu Espírito a atrai, e essa atração não pode ser resistida. Portanto, um verdadeiro filho de Deus certamente perseverará até ao fim e será salvo; ainda que caia em pecado, Deus o castigará e pelejará com ele. Para Ilustrar a teoria calvinista diríamos: é como se alguém
estivesse a bordo de um navio e levasse um tombo; entretanto, ainda está a bordo, pois não caiu ao mar.


Mas o NT de fato ensina que é possível resistir à graça divina e resistir para a perdição eterna (Jo 6.40; Hb 6.46; 10.26-30; 2Pe 2.21; Hb 2.3; 2 Pe 1.10), como também que a perseverança é condicional e depende do manter-se em contato com Deus.


Observe especialmente Hebreus 6.4-6 e 10.26-29. Essas palavras foram dirigidas a cristãos; as Epístolas de Paulo não foram dirigidas aos não-regenerados. Aqueles aos quais foram dirigidas são descritos como havendo sido uma vez iluminados, havendo provado o dom celestial, participantes do Espírito Santo, havendo provado o dom celestial, havendo sido participantes do Espírito Santo, havendo provado a boa Palavra de Deus e os poderes do mundo porvir. Essas palavras certamente descrevem pessoas regeneradas.
 

Aqueles aos quais foram dirigidas essas palavras eram cristãos hebreus, que, desanimados e perseguidos (10.32-39), estavam tentados a voltar ao Judaísmo. Antes de serem novamente recebidos na sinagoga, requeria-se deles que, publicamente, fizessem as seguintes declarações (10.29): que Jesus não era o Filho de Deus; que seu sangue havia sido derramado da mesma forma que a de um malfeitor comum; e que seus milagres foram operados pelo poder do maligno. Tudo isso está implícito em Hebreus 10.29. (esse repúdio da fé podia haver sido exigido e ilustrado pelo caso dum cristão hebreu na Alemanha, que desejava voltar à sinagoga, mas foi recusado porque desejava conservar algumas verdades do NT). Antes de sua conversão, havia pertencido à nação que crucificou Cristo; voltar à sinagoga seria de novo crucificar o Filho de Deus e expô-lo ao vitupério; seria o terrível pecado da apostasia (Hb 6.6); seria como o pecado imperdoável para o qual não há remissão, porque a pessoa que está endurecida a ponto de cometê-lo não pode ser renovada para arrependimento; seria digna de um castigo mais terrível que a morte (10.28); e significaria incorrer na vingança do Deus vivo (10.30,31).

Não se declara que alguém tivesse chegado até esse ponto; de fato, o autor está persuadido de "coisas melhores" (6.9). Contudo, se o terrível pecado da apostasia da parte de pessoas salvas não fosse ao menos remotamente possível, todas essas admoestações não teriam sentido algum.


Leia-se 1Coríntios 10.1-12. Os coríntios haviam se jactado de sua liberdade cristã e dos dons espirituais. Entretanto, muitos estavam vivendo num nível muito pobre de espiritualidade. Evidentemente, eles estavam confiando em sua "posição" e privilégios no Evangelho. Mas Paulo os adverte de que os privilégios podem perder-se pelo pecado e, para isso, cita os exemplos dos israelitas. 


Estes foram libertados duma maneira sobrenatural da terra do Egito, por intermédio de Moisés; como resultado, dessa libertação aceitaram-no como seu chefe durante a jornada para a Terra da Prometida. A travessia do Mar Vermelho foi um sinal de sujeição deles à liderança de Moisés. Havia a nuvem que os cobria, o símbolo sobrenatural da presença de Deus que os guiava. Depois de salvá-los do Egito, Deus os sustentou, dando-lhes, de maneira sobrenatural, o que comer e beber. Tudo isso significava que os israelitas estavam em graça, isto é, no favor de Deus e na comunhão com o Senhor.

Mas "uma vez em graça, sempre em graça" no caso dos israelitas, não foi verdade, pois a rota de sua jornada ficou assinalada com as sepulturas dos que foram destruídos em consequência de suas murmurações, de sua rebelião e idolatria. O pecado interrompeu sua comunhão com Deus, e, como resultado, caíram da graça. Paulo declara que esses eventos foram registrados na Bíblia para advertir os cristãos quanto à possibilidade de perder os mais sublimes privilégios por meio do pecado deliberado.

4. Equilíbrio bíblico
As respectivas posições fundamentais, tanto do Calvinismo quanto do Arminianismo, são ensinadas nas Escrituras. O Calvinismo exalta a graça de Deus como a única fonte de salvação — e a Bíblia também; o Arminianismo acentua a livre-arbítrio e a responsabilidade do homem — e a Bíblia também. A solução prática consiste em evitar os extremos antibíblicos de um e de outro ponto de vista quanto em evitar colocar uma idéia em aberto antagonismo com a outra. Quando duas doutrinas bíblicas são colocadas em posições antagônicas, uma contra a outra, o resultado é uma reação que conduz ao erro. Por exemplo: a ênfase demasiada na soberania e na graça de Deus em relação à salvação pode conduzir a uma vida descuidada, porque se a pessoa é ensinada a crer que conduta e atitude nada têm a ver com sua salvação, pode tornar-se negligente. Por outro lado, ênfase demasiada no livre-arbítrio e responsabilidade do homem, como reação contra o Calvinismo, pode deixar as pessoas sob o jugo do legalismo e despojá-las de toda a confiança de sua salvação. Os dois extremos que devem ser evitados são: a ilegalidade e o legalismo.


Quando Carlos Finney ministrava em uma comunidade em que a graça de Deus havia recebido excessiva ênfase, ele acentuava muito a responsabilidade do homem. Quando dirigia trabalhos em localidades onde a responsabilidade humana e as obras haviam sido fortemente defendidas, ele acentuava a graça de Deus. Quando deixamos os mistérios da predestinação e nos damos à obra prática de salvar as almas, não temos dificuldades com o assunto. João Wesley era arminiano e George Whitefield calvinista. Entretanto, ambos conduziram milhares de almas a Cristo.
 

Pregadores piedosos calvinistas, como Charles Spurgeon e Charles Finney, pregaram a perseverança dos santos, mas de uma forma a evitar a negligência. Eles tiveram muito cuidado de ensinar que o verdadeiro filho de Deus certamente perseveraria até ao fim, mas acentuaram que se não perseverassem, poriam em dúvida a certeza do seu novo nascimento. Se a pessoa não procurasse andar na santidade, dizia Calvino, seria bom que duvidasse de sua eleição.

É inevitável que nos defrontemos com mistérios quando nos propomos a tratar das poderosas verdades da presciência de Deus e o livre-arbítrio do homem; mas se guardamos as exortações práticas das Escrituras e nos dedicamos a cumprir os deveres específicos que se nos ordenam, não erraremos. "As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, o nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre" (Dt 29.29).


Para concluir, podemos sugerir que não é prudente insistir falando indevidamente sobre os perigos da vida cristã. Maior ênfase deve ser dada aos meios de segurança — o poder de Cristo como Salvador; a fidelidade do Espírito Santo que habita em nós, a certeza das  promessas
divinas, e a eficácia infalível da oração. O NT ensina uma verdadeira "segurança eterna", assegurando-nos que, a despeito da debilidade, das imperfeições, obstáculos ou das dificuldades exteriores, o cristão pode sentir-se seguro e ser vencedor em Cristo. Ele pode dizer com o apóstolo Paulo: "Quem nos separará do amor de Cristo? Será a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro. Mas, em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Pois estou convencido que nem morte nem vida, nem anjos, nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem a altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rom. 8:35-39).

Alan Fabiano


Fonte
CONHECENDO AS DOUTRINAS BÍBLICAS - MYER PEARLMAN, pg 268 a 274, 2ª Ed, São Paulo, Ed. Vida, 2006
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Lei sobre direito autoral (9610/98)
Capítulo IV
Das Limitações aos Direitos Autorais

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